quarta-feira, 17 de maio de 2017

QUEBREI A CARA!

Quem nunca quebrou a cara, não é mesmo? Eu quebrei diversas vezes... 

Quando, aos 16 anos, me apaixonei por um músico, que tinha uma pretendente em cada cidade que ele ia tocar...

Eu quebrei a cara quando larguei a faculdade de jornalismo para ir para Santa Maria fazer pré-vestibular, objetivando cursar a mesma graduação na Federal.

Eu quebrei a cara, aos 22 anos, ao me apaixonar por um homem 11 anos mais velho do que eu, 11 vezes mais experiente e 11 mil vezes mais esperto e malandro.

Eu quebrei a cara um dia que tomei dois dramins para dormir em uma viagem e, devido ao sono profundo, tive minha carteira furtada da minha bolsa, com todos os documentos dentro.

Eu quebrei a cara quando abri mão de assumir um cargo público para ficar em uma grande empresa privada, só porque o salário e os benefícios eram melhores e então conheci a força do assédio moral.

Eu quebrei a cara todas as vezes que me mudei de cidade para viver algo que eu acreditava que tinha tudo para ser um grande amor.

Eu quebrei a cara uma vez por ter sido simpática com um sujeito que sentou ao meu lado, no ônibus, e entendeu que isso era uma permissão para ele colocar a mão dentro da minha blusa enquanto eu dormia. Ah, mas ele também quebrou a cara ao fazer isso!

Eu quebrei a cara quando pensei que uma pessoa espontânea como eu conseguiria viver ao lado de alguém que não tinha nenhum senso de humor.

Eu quebrei a cara quando me encantei por um homem que já era apaixonado por outra pessoa, mas que fez de tudo para que eu me apaixonasse por ele e depois simplesmente sumiu para ficar perto dela.

Eu até já quebrei a cara este ano, pois no ano passado disse que não me apaixonaria antes de concluir o mestrado... kkkkkkkkkkkkk...

Eu quebrei a cara em 2016, quando ignorei o alerta de tantas pessoas sobre os perigos de se pilotar uma motocicleta. Metaforicamente, já quebrei a cara tantas vezes nesta vida... mas, literalmente, essa foi a única: o dia em que eu caí de moto e, mesmo usando um capacete todo fechado, QUEBREI DOIS OSSOS DA FACE: mandíbula e arco zigomático. Oito dias internada, uma cirurgia, dois parafusos no rosto, quase 20 dias com dieta pastosa, praticamente 3 meses de inchaço no rosto e sem poder abrir a boca completamente. Só quem já fez uma cirurgia dessas sabe o quanto dói não conseguir comer um churro.

Escoriações foram poucas... mas o susto, esse foi grande. Vendi a moto e comprei um carro. Troquei a economia pela minha segurança, porque chega de quebrar a cara no asfalto. Se tem uma coisa que aprendi é que quebrar a cara dói. Mas dói mais ainda ter que enfrentar isso tudo longe da família.

Então, desde 1º de novembro de 2016 eu tomei uma decisão: a partir de agora, só aceito quebrar a cara metaforicamente. Metaforicamente sou obrigada a aceitar, afinal, Murphy não falha jamais e a vida está aí para nos sacanear e o amor para nos pregar peças...

Por isso, lembrem-se sempre: quebrar a cara é inevitável, mas o aprendizado é opcional.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Desculpe o transtorno, estou em obras!

Já abdiquei de muita coisa nesta vida por pressão de terceiros: abri mão de ficar com um namoradinho quando era adolescente; de conversar com minha melhor amiga, porque o namorado tinha ciúmes; de falar e de rir alto na mesa de um bar; de tentar um mestrado antes, em outro lugar; de usar uma roupa que eu gostasse, porque era "muito justa"; de falar palavrão na frente dos outros; de ir a um show que eu queria muito; de uma vida em outra cidade e por aí vai...

Quando eu percebi, não me reconhecia mais. Estava sendo tudo o que os outros queriam que eu fosse, menos o que eu queria ser. Menos o que eu sou.

Minha essência perdeu-se em um mar de exigências e reclamações. Sim, reclamações, porque nunca era o suficiente. Eu deixei de ser eu mesma para agradar outra pessoa, mas não responsabilizo ninguém por isso, pois tive a minha parcela de culpa, afinal de contas, os outros só fazem conosco aquilo que permitimos.

Eu conferi a outra pessoa o poder de tomar decisões sobre a minha vida. Mas nunca era bom o bastante. Nunca é bom o bastante. E nunca será. Sabem por quê? Porque ninguém será feliz ao lado de alguém infeliz – e é impossível ser feliz sendo o que não somos.



Desculpe-me pelo transtorno, mas depois que passei por uma experiência de quase-suicídio da minha própria personalidade, estou me reconstruindo, e estarei constantemente “em obras”. As prioridades da minha vida mudaram. Agradar o outro deixou de ser urgente. Agora penso mais em mim mesma, em manter-me fiel à minha essência. 

Não engano a ninguém sendo o que não sou e, sobretudo, não engano mais a mim mesma. Eu não posso fingir que não me importo quando algo me incomoda. Eu não posso passar por cima dos meus valores para ser o que não sou. Não mais. 

Nem perca seu tempo me julgando ou me rotulando de fria e egoísta. Eu sei quem sou e isso me basta. Em suma: foda-se o que os outros pensam. Quem tem autoestima, coloca sua essência acima do capricho do outro. Amor próprio é pensar mais em si do que no outro, é não deixar ninguém nos desrespeitar. É não ir adiante mais quando deixamos de acreditar. E se um dia "meu marido forem livros", certamente terei feito uma excelente escolha.

Eu acredito que não existe chance de ser feliz ao lado de alguém que está sentindo-se incompleto. Não seja o incompleto, nem o incompletista. Seja você mesmo. Sempre. Não importa as consequências disso, pois as consequências de não sermos verdadeiros com nós mesmos sempre serão piores. Além do mais, Nietzsche já dizia: “Nunca é alto demais o preço a se pagar pelo privilégio de pertencer a si mesmo”.

Então, desculpe por todo o transtorno que causei, mas preciso ser sincera. Devo isso a mim, eternamente. Eu sou visceral, sou verdadeira e tenho sangue quente. Por debaixo desta pele germânica, corre sangue latino.

Frieza? Não. A inteligência emocional é meu mecanismo de defesa. Eu sou minha maior prioridade; então, desculpe mesmo.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Como amar (ou odiar) Machado de Assis

Este texto é especialmente para professores que trabalham literatura no ensino médio, mas também é para você, que já foi aluno de professores infelizes que cometeram a insanidade de fazê-lo acreditar que "Machado de Assis é um chato", simplesmente por ignorância ou abordagem equivocada. Aqui eu explico como é possível reverter isso. Todo mundo ganha! Eu garanto: ler Machado de Assis sempre será melhor do que não ler Machado de Assis.

Para quem não sabe, eis uma revelação (que nunca foi tão segredo assim em minha vida): eu odiava o Machado de Assis [música de suspense, "close" e pausa para intervalo]. Hoje eu faço mestrado em Literatura Comparada e, um dos autores que pesquiso é justamente o "Machadão" (por escolha minha e não por imposição do orientador). Quando fui reapresentada ao "bruxo do Cosme Velho" no contexto e na hora certos, eu simplesmente me apaixonei e não larguei mais dele.

Ele é o nosso maior patrimônio literário. Um gênio, que dominou como ninguém a arte da palavra. Mas, assim como 90% dos brasileiros, eu fui obrigada a ler Dom Casmurro no colégio. Uma heresia, na minha opinião, que alguns docentes cometem até hoje. Já estive dos dois lados: fui aluna, como todo mundo nesta vida, mas também fui professora de literatura no ensino médio, e afirmo: submeter adolescentes de 15 anos a iniciar as leituras Machado de Assis a partir de seu romance mais polêmico é um crime! Nessa fase, eu jamais consegui passar da primeira metade do livro... dormia a cada 10 páginas.

#Primeiramente: Machado não é escritor para leitor precoce, a maioria de seus textos exigem uma certa maturidade e um conhecimento prévio de outros clássicos da literatura, uma vez que ele recorre frequentemente à intertextualidade para explicar determinadas situações da narrativa. Ao longo do romance Dom Casmurro, o leitor depara-se com referências a várias obras: A Divina Comédia, de Dante Aliguieri; a elementos da Mitologia Grega; à Bíblia Sagrada; Otelo, de Shakespeare, dentre outras. Sem dúvidas, trata-se de um escritor altamente culto e erudito. Para quem leu, no máximo, Harry Potter (e olhe lá!), é um estupro literário e linguístico!

Aos professores, faço um alerta e uma súplica: MACHADO DE ASSIS NÃO É LITERATURA INFANTOJUVENIL, então, POR FAVOR, parem de assassiná-lo! Ao obrigar pseudocrianças a ler seus romances, vocês matam o que há de melhor na nossa literatura. Não cometam "machadicídio"!

A linguagem machadiana, além de não trazer um português contemporâneo, pois é do século 19, é bastante sofisticada, e o tema dos romances, geralmente é denso. Dom Casmurro trata do ciúme e menciona uma possível traição; em vários momentos, é feita uma análise psicopatológica das personagens, o que exige um nível de reflexão mais frequente em leitores mais experientes em textos de escrita superior.

O mesmo raciocínio aplica-se a Memórias Póstumas de Brás Cubas (como simulou um amigo meu certa vez, fazendo as vezes de aluno do ensino médio: "'Memórias' até sei o que é... 'póstumas', não; e 'Brás Cubas' eu não sei quem é... então, não quero ler! Fim.") e a qualquer outro romance realista do gênio, pois um leitor desatento deixará passar até o que há de mais precioso em todo o conjunto da obra: a ironia machadiana ("Marcela amou-me durante 15 meses e 11 contos de réis").

Então, parem, a menos que teu objetivo seja, de fato, traumatizar a molecada e fazê-los odiar Machado de Assis para todo o sempre (ou, até que alguns entrem em um curso de Letras e deparem-se com um professor de literatura brasileira ABENÇOADO, que consiga mudar essa triste realidade - história da minha vida!).

_ Mas, Pati, como fazer se esses romances ainda estão nas listas de leituras obrigatórias dos vestibulares mais importantes do país?
Honestamente, eu acho que isso está mudando já, mas enquanto não muda totalmente, podemos dar um "jeitinho". Bom, eu já dei a receita de como não fazer. E é bem fácil (até mesmo se você for um professor medíocre que nunca leu Machado, mas finge que leu para não ficar feio), basta obrigar a leitura dos romances, fingir que o tema central de Dom Casmurro é o mistério "traiu ou não traiu?", pede um resumo idiota e dá só "visto" para todo mundo, faz perguntas óbvias na prova, fica chovendo no molhado, você finge que ensina, os alunos fingem que aprendem e, no final do mês, o teu salário cai na tua conta da mesma forma, sem um esforço extra. Essa é a via mais rápida, menos dolorida e, por isso, a preferida pela maioria dos "professores de literatura".

Mas se você realmente quer ensinar literatura e, dessa forma, fazer a diferença na vida desses "serumaninhos", ou se você foi vítima de "machadicídio" e quer ressuscitar esse autor na sua biblioteca pessoal, faça esse trabalho de forma mais gradativa e comece pelas narrativas curtas do escritor. Dedique-se a conhecer os contos. Dedique-se a conhecer a obra de Machado de Assis. Ele está muito além de Dom Casmurro e Memórias Póstumas. Eu arriscaria dizer (e não estou sozinha nisso, vários críticos literários renomados concordam comigo) que as verdadeiras obras-primas do nosso mestre estão em seus contos.

Agora, convenhamos: é uma seleção que dá trabalho, afinal, são mais de 200 títulos e você terá que ler ao menos 10% disso. Comece pelos clássicos: A Carteira, A Cartomante, Pai contra Mãe, O Espelho. Arrisque-se em A Chinela Turca e Ideias de Canário. Somente quando sentir que a linguagem não é mais tediosa, parta para O Alienista. Explore bem esse último, pois é um conto longo e muito rico. Depois disso, se - e somente se - sentir que não gerará trauma literário, você poderá partir para Dom Casmurro e Memórias Póstumas. Eu sempre costumo dizer que Dom Casmurro é o melhor livro do mundo, pois ele é extremamente honesto ao relatar a história de um casamento que não deu certo. Não tem final feliz, não tem "viveram felizes para sempre". É realidade. É a história da minha, da sua, da nossa vida. Parafraseando Nelson Rodrigues, é "a vida como ela é"...

Mas eu recomendo ir com cautela. Eu somente indicaria esses romances para quem realmente gosta de ler e/ou já passou ou está próximo dos 30 anos, pois aproveitará e apreciará a leitura na sua totalidade.

Sigam este caminho e apaixonem-se comigo! Sejam bem-vindos ao universo machadiano!

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Sumi!

Sumi mesmo. Bloguísticamente falando, desapareci. E explico o porquê: nesses quatro meses em que fiquei ausente, virei mestranda. E acho que, depois da aprovação no concurso, isso foi o que mais me trouxe realização.

Há muito tempo quero seguir uma carreira acadêmica. Graduação, especialização, mestrado e doutorado são ideias que habitam o meu imaginário desde 2005, pelo menos. Foi em 2005, quando tranquei o curso de Letras na UFSC, que eu descobri que amo estudar. Simplesmente não consigo parar. Sinto que preciso estar sempre fazendo alguma coisa para não estagnar intelectualmente.

Em dezembro de 2015, fiquei sabendo de uma novidade, ainda nos “bastidores” da Universidade em que trabalho: a Capes havia aprovado um curso de mestrado em Literatura Comparada. Fui eu quem revisei a matéria que foi para o site divulgando essa conquista da UNILA. Fiquei pensando naquilo.

Comecei a ler e a pesquisar. Minha vida pessoal estava meio bagunçada porque, em agosto, havia me apaixonado pela pessoa errada. Então, eu precisava de uma motivação, por isso, usei a seleção do mestrado como rota de fuga: meti a cara nos livros e deixei de pensar naquela situação patético-amorosa. O foco da minha vida voltou a ser eu mesma (além, é claro, de Machado de Assis e Jorge Luis Borges). Esqueci aquela desilusão, não era mais importante, pois eu tinha um sonho de novo. Um sonho só meu, que não tinha nada a ver com outra pessoa além de mim mesma.

Totalmente sem ritmo (quase 4 anos depois de formada), escrevi um projeto de pesquisa. Fui aprovada na primeira etapa. Depois de muita ansiedade, veio a segunda e temida etapa: a entrevista (pra mim, pelo menos, pois já havia sido reprovada em uma entrevista de mestrado, em 2014).

Sim, é muito esquisita essa sensação de estar diante de quatro doutores que estão te avaliando e você não faz a menor ideia do que eles perguntarão, menos ainda do que eles pensarão sobre suas respostas.

Eu sou a rainha da ansiedade, fiquei muito desesperada e surtada com esse processo seletivo, mas, no dia 7 de junho de 2016, vi meu nome no Edital: “APROVADA”, diz lá. Eram apenas 10 vagas, mas eu só precisava de uma. Pensei o mesmo, em 2012, quando escolhi fazer o concurso para Revisor de Textos; tinha apenas uma vaga: a minha!
E assim foi e vem sendo e desde que eu tomei uma decisão na minha vida: somente nós mesmos é quem impomos nossas autolimitações.

Já percebi que, depois desse 7 de junho, minha vida nunca mais será a mesma, minhas horas dos finais de semana terão de ser equacionadas. As aulas ainda não começaram, mas a troca de e-mails com o orientador, sim. E já estou com uma listinha de livros para ler e um artigo para escrever.

Então, foi por isso que sumi. Estou muito ocupada vivendo este sonho meio louco, que me privará muito da minha vida social que tanto amo, mas que não é mais o de outra pessoa: é o meu sonho!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

2015 foi ruim?

Hoje, dei-me conta de que não escrevo no blog há 9 dias. Não escrevo porque estou ocupada "sendo feliz". Ontem, na mesa de um bar, entramos no mérito do ano ter sido bom ou ruim... aproveitei o balanço que fiz de ontem para hoje sobre o assunto para escrever, mesmo sem estar descornada "inspiração".

Em 2015, eu não entrei no programa de Mestrado que eu queria, eu terminei um relacionamento de 7 anos, no qual apostei todas as minhas fichas e pelo qual deixei de fazer muita coisa que eu gostaria de ter feito. Eu fiquei sem dinheiro para comprar um carro, porque precisei mobiliar uma casa do zero. Eu participei de uma greve de 4 meses e meio para conseguir um reajuste de 10%, dividido em duas parcelas - sendo a primeira para agosto de 2016 (com efeitos financeiros só em setembro). A academia em que eu nadava me deu os canos, porque paguei um plano semestral e agora a porra da piscina fechou, e aí eu não estou mais conseguindo nadar com a frequência que preciso, porque a outra academia na qual me matriculei é longe de casa e estou tendo muitas cãibras nos treinos para ir e voltar de bicicleta. Em 2015, eu descobri que sou intolerante ao glúten e tive uma bactéria no pulmão que me obrigou a ficar uma semana em casa para tratá-la. Eu me estrepei emocionalmente duas vezes - e financeiramente várias vezes. Para fechar o ano com chave de ouro, eu estou tendo crises de ansiedade, porque percebi que não posso mais adiar a compra de um carro e isso vai me dilacerar financeiramente em 2016, já que minha família não é RYCA. Percebi que vou perder duas passagens que comprei para Curitiba em fevereiro, pois não vou ter dinheiro para passar o carnaval na Ilha do Mel, já que o carro agora é prioridade. Olhando assim, parece que meu ano foi uma droga. Mas eu sou uma romântica e otimista incorrigível.

Em 2015, eu descobri que não devo ter medo de ficar sozinha, porque sou a melhor companhia para mim mesma. Eu conheci uma pessoa maravilhosa, que sacudiu meu mundo e veio para roubar algumas certezas meio ridículas que eu tinha sobre a vida. Eu descobri que adoro vinho. Em 2015, minha prima-irmã se casou, fez uma festa espetacular, me concedeu o privilégio de ser sua madrinha, e esse foi um dos momentos mais lindos da minha vida. Eu viajei sozinha pela primeira vez e foi fantástico estar somente comigo por tanto tempo. Ao me separar, eu fiz novos amigos e reforcei os laços com os que eu já tinha - inclusive, um brinde à amizade, pois graças a isso estou indo de carona para o RS e não vou ficar 18h sofrendo no busão. 2015 foi o ano que eu mais viajei para ver minha família, desde 2008...

Neste ano, voltei a escrever e descobri que amo nadar. Comprei uma bicicleta, voltei a usar lentes de contato, troquei o modelo dos patins e do celular. Eu percebi que sou muito independente para ficar dependendo de carona, ônibus e táxi - e isso está gerando uma crise em mim, mas, tudo bem, crise é sinônimo de oportunidade. 2015 foi, definitivamente, o ano da amizade... me reaproximei da minha melhor amiga com força total, dos meus colegas de trabalho e ganhei uma amiga 14 anos mais jovem do que eu, que alegra meus dias e a quem eu quero como uma filha. Este ano, eu me dei conta de que a vida é muito curta para dizer "não" quando queremos dizer "sim" e estou aprendendo a viver o que ela me oportuniza, sem neuras, sem expectativas, sem preocupações, sem julgamento moral. Este ano, aprendi, aos 44 do segundo tempo, a apertar tecla do "FODA-SE"!

Então, a resposta para a pergunta do título é "não". O ano não foi ruim. 2015 não foi um ano bom o suficiente para eu sentir saudades, mas não foi ruim o suficiente para eu reclamar ou dizer "não aguento mais, acaba logo". Até porque reclamar não combina comigo. Eu odeio reclamar e odeio viver perto de gente que reclama. Este foi um ano de erros e acertos; quedas e ascensões; lágrimas e risos; bebedeiras e ressacas; amores e sabores. Estou pronta para me despedir deste ano sem dor e ressentimento e entrar em 2016 com o coração aberto a tudo o que ele tiver para me oferecer.

O dia em que o Drácula me agarrou!
Desejo que cada leitor tenha um grande ano, com muita coisa boa e grandes aprendizados, mas que, sobretudo, aprendam a extrair da dor e dos erros algo de positivo para suas vidas, sem lamentações e apego ao que não presta mais. Então, olhem para 2015 com otimismo e aí sim, e só assim, vocês serão dignos de um 2016 espetacular.

FELIZ 2016!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Não foi amor à primeira vista

Eu não acredito em amor à primeira vista, talvez por isso nunca tenha me apaixonado no primeiro encontro. E meu primeiro encontro contigo não foi diferente. Demorei para entender seus movimentos. Minha coordenação motora também não estava lá essas coisas e, definitivamente, não nos entendemos num primeiro momento... não houve aquela sintonia que rola de cara, como nos romances, filmes e novelas. Deixei você de lado e fui viver. Eis que você, insistente, teimou em entrar na minha vida. Me venceu pelo cansaço - literalmente... UFA! E eu deixei, afinal... não tinha nada a perder. Eu estava mesmo procurando algo para passar meu tempo, algo que aliviasse as dores do passado e me permitisse levar a vida de forma mais suave. Você apareceu na hora certa. Sempre é assim, né?

Aos poucos, fui me entregando e me deixando levar pela suavidade de seus movimentos que, eram, ao mesmo tempo, fortes. Paradoxos da vida. Você me proporcionou um relaxamento nunca antes experimentado por mim... com nossos encontros, percebi que eu nunca havia provado uma dose tão alta de endorfina. Viciei na tua droga e agora eu só quero mais e mais. Durante minha viagem, tivemos de nos afastar, mas agora eu não quero mais ficar longe de você, aconteça o que acontecer, mesmo que você tenha se afastado um pouco de mim... não importa, eu faço qualquer coisa para ficar com você e sentir novamente aquela euforia doida que só você me proporciona. Agora, não quero mais ir aos poucos, eu só penso em me jogar, com tudo.

O sorriso estampado em meu rosto assim que nos afastamos não nega: eu te amo! Sim... amo mesmo. Eu tentei negar essa palavra, chamando-a de paixão. Você não é minha paixão, você é o amor da minha vida! Eu não sou mais nenhuma menina, sei diferenciar bem essas duas coisas. E, depois dos últimos acontecimentos, não há mais dúvidas: quero passar o resto da minha vida em sua companhia. Você me completa... e não tem contraindicação. Você não me machuca e só me faz bem. Com você, eu durmo melhor, eu respiro melhor... eu VIVO melhor! Você chegou para transformar minha vida. E transformou!

No verão, você apaga o meu fogo; no inverno, você me aquece... Faça frio, faça calor, faça chuva ou faça sol, eu só quero estar contigo. Perdoe-me por eu ter me afastado e ter excluído você da minha rotina... prometo que, a partir de agora, farei de tudo para que isso nunca mais aconteça, porque nunca antes na vida eu me senti tão bem comigo mesma como me sinto quando você faz parte dos meus dias. Preciso admitir que, sem você, as coisas não estavam indo tão bem assim... Mas, quando eu precisar fugir de mim novamente, como aconteceu este ano, prometo fugir só de mim mesma e nunca, jamais, em hipótese alguma, fugirei de você outra vez.

Quero você comigo sempre... e eu estou pronta pra isso. Não tenho mais medo de enfrentar o que tiver de enfrentar para sentir você acolhendo o meu corpo e acalmando tudo o que mora dentro de mim. Hoje, amanhã e sempre eu quero que você me deixe sem fôlego, quero sentir você em cada poro deste imenso órgão chamado pele, fazendo eu suspirar de prazer.

Depois que você cruzou meu caminho algumas vezes e, depois, decidiu que iria entrar na minha vida para não mais sair (apesar da minha resistência inicial), eu nunca mais fui a mesma. Eu sempre achava mais poético dizer que você me ajudou a resgatar uma Pati que estava esquecida por mim em algum lugar. Mas a verdade é que você foi além, você superou tudo - por isso escolhi você para ficar comigo para sempre. Você me ajudou a conhecer a melhor parte de mim, uma parte que eu não conhecia. Mesmo que às vezes eu me afogue com este amor, mesmo que eu não seja a única na sua vida - e sei que não sou, isso nunca foi segredo entre nós - com você, minha vida é mais fácil, tem mais brilho, tem mais cor, tem mais riso. "Com você, faz sentido. Tudo pode mudar, eu sei". Contigo, eu me sinto mais forte; nos teus braços, fico mais leve e sinto a liberdade de um amor que é livre e desinteressado. Eu só quero estar contigo e viver todas essas sensações. É tudo o que você pode me dar e é só o que eu quero.

Sim, isto é uma declaração de amor. Eu sou toda sua, natação, porque você é perfeita pra mim. Me afogue, me deixe sem fôlego, me possua e me faça suspirar... sempre!


(Nem tudo é o que parece ser, cada um lê aquilo que quer...)

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Para quem eu escrevo?

Ontem foi aniversário de uma pessoa do meu passado e, obviamente, isso me fez pensar bastante nas coisas que vivemos. Sem saudades e sem rancor, apenas pensei e lembrei. Acabei escrevendo um texto, porque sou dessas que só escreve sobre mim, sim! Não sou boa com ficção. Amarildo Redies, meu grande mestre da Teoria Literária, diria que o que eu faço não é literatura - e não é mesmo, nem tenho essa pretensão.

Conversando com uma amiga que também adora escrever, mas que, ao contrário de mim, é boa com ficção, concluí que "ela tem estilo". Explico as aspas: logo que cheguei à UNILA e conheci essa amiga, que é jornalista (e foi minha colega de trabalho por 1 ano e meio, praticamente), eu comentei sobre um dilema da minha função, que é revisar textos: alguns jornalistas se ofendiam com as alterações que eu fazia em seus textos, dizendo que eu mudava "o estilo" deles. Então, falei, em tom de brincadeira: "Machado de Assis tinha estilo; você, não!". Ela jamais esqueceu essa frase. Ontem até brinquei com ela, dizendo que ela é Machado de Assis e eu, Agusto Cury, uma vez que ela até escreve sobre fatos, mas coloca ficção no meio e, por essa razão, os textos dela estão muito mais próximos da arte do que os meus - que estão no limiar da autoajuda (ajuda a mim mesma, no caso). Eca! 

Mas, tudo bem, ao contrário do Cury, não escrevo para ficar "ryca" e famosa, eu só escrevo porque estou a fim. Escrevo para mim. "Pati, mas se você escreve só pra ti, por que não deixa no Word?". Eu publico para quem quiser ler (e porque talvez minhas experiências, vivências ou simplesmente minhas palavras possam ajudar alguém, de alguma maneira). O nome do Blog diz tudo: "Compartilhando meu mundo" (meu... MEU mundo!). Ninguém é obrigado a ler o que escrevo, se você está lendo isto neste momento, é porque fez uma escolha. Se o que escrevo, de alguma forma, ofende ou incomoda alguém, a conta é bem simples: é só deixar de ler.

Então, desculpe desapontar, mas nada do que escrevo aqui é "para fulano" ou "para beltrano" ou "sicrana". Se alguém leu alguma indireta aqui, é porque de alguma maneira temos algo em comum, mas, sobretudo, isto aqui é a minha vida, são minhas percepções de minhas experiências e eu gosto, sempre gostei de me expressar sobre o que sinto. Sempre me expressei melhor escrevendo do que falando. Alguns dizem que tenho o dom da palavra; não. Eu tenho o dom da escrita e é através dela que me liberto. Isto tudo que está neste blog é sobre mim, e mais ninguém. A forma de eu escrever, às vezes falando diretamente com meu interlocutor, é como se fosse "a Pati do futuro" falando com "a Pati do passado"; "a Pati de agora" tendo um monólogo, ou ainda, fazendo um desabafo para o mundo. Eu escrevo aquilo que não falo. Sabe quando você imagina uma situação e se vê conversando com o espelho? É mais ou menos assim que funciona. 

Um homem com quem me relacionei por alguns anos não suportava este traço meu, achava que eu falava demais, me expunha demais, escrevia demais. Mas esta sou eu: uma pessoa que gosta de escrever sobre a própria vida, que exorciza seus demônios através da escrita - sou egocêntrica? Talvez. Mas se eu escrevo sobre mim e para mim, é porque é uma terapia. Obviamente, muitas pessoas fazem parte das minhas histórias e "ler-se-ão" aqui, mas nada disso é sobre elas, sobre meu ex, sobre minha família: é sobre mim. Só sobre mim.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Isso é seu!

Carpinejar já dizia: "antes de falar, é preciso ouvir o que se pensa". Eu preciso ouvir mais minhas próprias palavras. Mas, sobretudo, eu preciso ouvir mais o meu coração.

A desilusão de um casamento que não deu certo provocou algumas mudanças em mim e agora eu estou sempre na defensiva, tentando racionalizar meus sentimentos. Sentimentos não foram feitos para serem racionalizados e sim vividos e sentidos. Já estive em uma situação desconfortável na qual eu não gostaria de ter estado. Aquilo foi tomando conta de mim em uma proporção avassaladora. Eu não conseguia mais ter paz porque me considerava responsável pela infelicidade de alguém. Para mim, só havia uma maneira de reencontrar a paz: pular do barco. E assim o fiz. E lá fora, no mar, eu não encontrei a paz que procurava, mas trouxe outras coisas comigo. Só agora entendo que, ao me jogar no mar, eu o fiz mais por essa outra pessoa do que por mim mesma. E ela nem imagina isso. Eu não calculei as consequências, eu só pensei: "Foda-se, eu sei nadar!". Às vezes, o medo de prejudicar alguém é tão grande, que não pensamos no que estamos sentindo e no que queremos. O maior erro que podemos cometer é não tomar as rédeas da nossa própria vida. Mas eu só queria paz.

Eu jamais me atravessei no caminho de ninguém, mas às vezes acontece de estarmos no nosso caminho e tropeçarem na gente. E eu jamais quis tirar algo de alguém, o que estava em questão naquele barco não eram coisas ou pessoas, e sim sentimentos. Eu não posso roubar um sentimento - eu não obrigo ninguém a gostar de mim, certo? Não se tira uma pessoa da outra, pois as pessoas não nos pertencem.

Se tem uma coisa que eu aprendi nos 7 anos em que fui casada é que as pessoas fazem suas próprias escolhas de sair ou de ficar nas nossas vidas - ninguém decide por elas; então, para mim, elas não são como um troféu, que pode ser tirado de ti. Não. Definitivamente, pessoas não são um troféu! A única coisa que podem nos tirar são nossos bens materiais. E pessoas não são coisas, certo? Pessoas são pessoas e têm vontade própria. Entenda isso e sofra menos.

O que aprendi com aquele salto foi que não precisamos buscar a paz fora da gente, pois ela está dentro de nós (meu deus, que clichê!). Eu ainda nem sei exatamente o que foi que deixei naquele barco, sabe quando você está em meio a muitas caixas, depois de uma mudança, e demora para dar falta de algo? Está tudo bem bagunçado ainda e preciso de uns dias para colocar a casa em ordem... mas pular do barco me fez olhar para ele, à deriva, então me questionei: - O que ficou lá? Acho que ficou só o meu medo de magoar alguém - todo o restante, veio comigo.

Em meio ao caos da minha mudança metafórica, vejo muitas caixas abertas e muitas coisas para serem guardadas ainda. Mas o que é para ser jogado fora eu já joguei: a minha culpa. Não há culpa. No amor, não existem culpados; somos todos vítimas, uma vez que não podemos escolher de quem iremos gostar. E não há maldade em gostar. Nunca vai ser errado gostar de alguém. Quando decidi jogar a culpa fora, eu restabeleci aquela paz que fui buscar dentro do mar. Então, eu finalmente percebi que sou a única responsável pelos meus sofrimentos e que não seria justo responsabilizar alguém por isso. Eu não posso tirar nada de ninguém e ninguém pode tirar nada de mim - o universo se encarrega de fazer tudo e de colocar as coisas no seu lugar certo. E é impossível fugir disso.

Mas o que importa é que agora estou em paz, pois tenho a convicção de que, assim como ninguém tem nada a ver com a minha vida e com minhas escolhas, eu também não tenho nada a ver com os problemas das outras pessoas. Precisei nadar muito em mar aberto para entender isso. O fato é que não entramos na vida de ninguém sem que o outro permita e se a vida de uma pessoa não vai bem porque você apareceu, o problema não é seu. As minhas escolhas não têm nada a ver com a vida de outra pessoa, só com a minha vida - a menos que eu esteja em um relacionamento com essa pessoa.

Então, a partir de agora, eu só carrego comigo o que for meu. Quando estamos em um mar de sentimentos, é difícil discernir o que é nosso e o que é do outro. Claro que ter empatia é importante e nos torna mais humanos, mas não permita que isso o faça tomar uma atitude definitiva para sua vida. O auto altruísmo também é um sentimento nobre.

E se em algum momento alguém tentar te responsabilizar pela sua infelicidade, tenha o discernimento de dizer: "Isso não é meu! Isso é seu". Não há porque carregarmos as cargas emocionais dos outros - você não é o culpado pelo fracasso nem pelo sucesso de ninguém. Deixe que cada um resolva seus problemas e ocupe-se dos seus. Afinal de contas, ninguém vai ser feliz por você, a não ser você mesmo.

"Uma vez, perguntaram a uma mulher sábia:
- Seu marido faz a senhora feliz?
E ela respondeu que não. O marido ficou desconcertado, mas ela continuou:
- Meu marido nunca me fez feliz e não me faz feliz! Eu sou feliz. O fato de eu ser feliz ou não, não depende dele; e sim de mim. Eu sou a única pessoa da qual depende a minha felicidade. Eu determino que serei feliz em cada situação e em cada momento da minha vida, pois se a minha felicidade dependesse de alguma pessoa, coisa ou circunstância sobre a face da Terra, eu estaria com sérios problemas."

(Fonte: familia.com.br [adaptado])

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Nunca deixe de sorrir

Mesmo que o mundo não seja gentil comigo, mesmo que a vida me dê muitos motivos para chorar, mesmo que as pessoas que eu mais amei já tenham me decepcionado, mesmo que tudo esteja dando errado, eu nunca deixo de sorrir. Este riso fácil é a minha marca. Já ouvi muita gente dizer "A Pati está sempre rindo". Nem sempre estou rindo, mas, na medida do possível, eu tento rir mais do que chorar, agradecer mais do que reclamar, perdoar mais do que guardar rancor... Mas o riso é a minha arma mais poderosa, pois se eu deixar de sorrir, é como se estivesse desistindo de mim mesma. E eu sou a única pessoa da face da Terra que não pode, jamais, desistir de mim.

Quando estava em Chapecó e pedi redistribuição para a UNILA, minha família foi contra essa minha decisão de retornar a Foz e vir morar com meu atual ex-marido. Eles não acreditavam mais naquele meu relacionamento, mas eu queria voltar para cá, porque tinha algo dentro do meu coração que dizia que eu não poderia desistir ainda, parecia que eu havia deixado de fazer algo naquela relação e que, por isso, não havia dado certo (perdão pelo cacófato!). Algo me fazia acreditar que poderia ser ele o amor da minha vida. Naquele momento, desistir daquele amor seria como desistir de mim e, desistir de mim seria como deixar de sorrir, para sempre. Então, eu voltei - e foi muito importante esse meu retorno. Às vezes, precisamos voltar para entender. Só assim eu percebi, mais de 1 ano depois, que já não éramos mais um casal. Então passei algumas semanas avaliando a minha decisão, para nunca mais ter que voltar atrás, nem ficar com aquela sensação de fracasso ou de culpa por não ter feito tudo o que estava ao meu alcance. Tivemos aquela difícil conversa de rompimento, definimos a divisão dos bens e dos bichinhos, comecei a procurar um lugar para morar, juntei os caquinhos do meu coração, meus livros e utensílios de cozinha e recomecei minha vida do zero... sem geladeira, sem sofá, sem fogão, sem micro-ondas! Não foram dias fáceis e, mesmo assim, eu nunca deixei de levar este sorriso comigo no rosto.


Uma separação nunca é fácil. Eu já passei por algumas... só no meu último relacionamento, foram 3, em 7 anos. Um relacionamento que também nunca foi fácil para mim, que sempre tentei levar a vida de forma suave e, de repente, isso deixou de ser assim, era tudo difícil e "pesado". Mas, sobretudo, fora um relacionamento que me fez amadurecer demais, justamente pelas dificuldades que enfrentei e pela personalidade com a qual tive de aprender a conviver. Com aquele homem, que me levava ao céu e ao inferno, eu evoluí a uma velocidade que, sozinha, levaria, talvez, uns 15 anos! E, mesmo nas piores crises do meu casamento, mesmo em meio às piores tempestades... eu jamais deixei de sorrir.

Um dia, eu li na página "Cifras", do Facebook, algo que dizia mais ou menos assim: "Eu nunca vou me arrepender das coisas erradas que já fiz, mas me arrependo das coisas certas que eu fiz para as pessoas erradas". Eu discordo completamente dessa frase. Coisa de gente recalcada e amargurada, desculpem! O bom da vida é olhar pra trás e ter a capacidade de entender que tudo valeu a pena, caso contrário, você não estaria onde está hoje. A vida machuca, o mundo é cruel, as pessoas nos decepcionam, mas não podemos, jamais, deixar de dar o melhor de nós mesmos só porque alguém não soube valorizar isso um dia... um dia, alguém há de entender! Esteja pronto, ofereça ao mundo a melhor parte de si - estampe no rosto o seu melhor sorriso. Como diria Carpinejar: "Nunca desista da tua alegria porque alguém não a compreendeu antes". Doe-se, mesmo que depois doa. Até porque, não deve ter nada mais dolorido neste mundo do que escolher viver no outono só por medo de se magoar.

Eu sou as escolhas que eu fiz, o caminho que tracei, os erros que cometi. E é por isso que temos que sorrir, afinal, tudo o que nos cerca é fruto de nossas decisões. Eu escolho viver sempre na primavera - e é por isso que não consigo deixar de sorrir. Isso não significa que a tristeza não me atinja. Eu também sofro, choro (muito!) e fico triste. Mas ficar sofrendo por coisas que não podemos mudar é uma opção muito deprimente. A vida fica mais leve quando temos um sorriso no rosto.

Quem não desiste de ser feliz, sorri muito, até mesmo em tempos difíceis, até mesmo quando a alma está chorando e o coração sangrando. Experimente sorrir mais e verá que tudo se torna mais bonito ao seu redor.
E não tenha vergonha da sua gargalhada - todo mundo olha pra mim quando estou dando risada e isso pode ser fantástico, porque uma única gargalhada pode deixar muita gente mais alegre. Já ouvi inúmeras vezes: "Eu dou risada da risada da Pati"... perfeito! Missão cumprida. Por alguns segundos, eu deixei alguém mais feliz!

Eu me apaixono por pessoas que não têm medo de dar umas boas risadas! Para mim, a paixão tem riso fácil. Então, sorria... E deixe o mundo se apaixonar por você.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

O que a mulher de 30 sabe

Hoje, resolvi escrever este texto após uma conversa muito boa que tive com um amigo, uma conversa que me fez refletir sobre alguns acontecimentos do passado que me aborreceram, mas que me ensinaram muito.

Hoje, eu finalmente percebi que muitas pessoas já conseguiram mudar o que eu sentia por elas, mas não conseguiram mudar o que sinto por mim — pois posso afirmar com convicção que, HOJE, o que sinto por mim mesma é inabalável. É indescritível esta sensação de felicidade, de quando você olha para dentro de si mesma e gosta do que vê. São coisas que somente o tempo e a maturidade proporcionam. Então comecei a pensar no quanto eu mudei nos últimos 3 anos... depois de virar balzaquiana.

Depois dos 30, a gente aprende que viajar e tirar férias sozinha pode ser surpreendente e que isso pode trazer descobertas maravilhosas sobre nossa própria pessoa.

Depois dos 30, a gente aprende que a melhor época da nossa vida é agora e que esta é nossa melhor versão de nós mesmas.

Depois dos 30, a gente aprende que, quando a gente se ama acima de tudo e de todos, ninguém consegue mudar o que sentimos por nós mesmas.

Depois dos 30, a gente aprende que, quando estamos sós, estamos na melhor companhia possível.

Depois dos 30, a gente aprende que ter alguém é fantástico, mas que o amor de outra pessoa não é a coisa mais importante nesta vida.

Depois dos 30, a gente aprende que, não importa o quão maravilhosa sejamos, nem sempre “aquele cara” estará preparado para viver ao lado de uma mulher assim.

Depois dos 30, a gente aprende que não vale a pena manter um relacionamento por preguiça de conhecer outras pessoas.

Depois dos 30, a gente aprende que o nosso comodismo custa caro, custa muito caro: custa o nosso tempo — e o tempo desperdiçado jamais voltará.

Depois dos 30, a gente aprende que desistir de algo, muitas vezes, é só para os fortes, pois nem tudo vale a nossa luta e poucos conseguem distinguir isso. Não sei nem se trata-se de uma desistência, estaria mais para uma mudança de paradigma.

Depois dos 30, a gente aprende que autoestima, autoconhecimento e autoconfiança são diferentes pontas de um mesmo nó. Uma mulher bem resolvida, segura de si, só é assim porque aprendeu a amar-se.

Depois dos 30, a gente aprende a deixar de desejar o outro quando o que desejamos está muito além do que este tem para nos oferecer.

Depois dos 30, a gente aprende que viver longe da família é dolorido, mas que isso nos faz evoluir mais rapidamente.

Depois dos 30, a gente aprende que tudo tem seu tempo certo e que, muitas vezes, é preciso dar um passo para trás para, depois, dar dois passos à frente.

Depois dos 30, a gente aprende que, não importa o quanto as coisas deram errado, sempre teremos a oportunidade de um recomeço.

Depois dos 30, a gente aprende que amigos de verdade nunca saem das nossas vidas, mesmo que a distância nos separe por anos, mas aprendemos que temos que deixar a porta sempre aberta para a chegada de novos amigos.

Depois dos 30, a gente aprende que amar o outro mais do que a nós mesmos só nos traz dor e sofrimento.

Depois dos 30, a gente aprende que mais vale viver somente com um gato e um cão e ser feliz, do que estar em um relacionamento falido só para manter o status no Facebook.

Depois dos 30, a gente aprende que um casal, para funcionar, precisa "viver como um casal", e não como dois colegas de quarto que dividem as despesas e os afazeres domésticos.

Depois dos 30, a gente aprende que a amizade é um amor mais sincero do que o amor romântico. A amizade não exige exclusividade, a amizade sobrevive mesmo a distância, a amizade não faz cobranças sem fundamento; seus amigos nunca irão vasculhar seus e-mails, redes sociais, computador ou seu smartphone em busca de pistas de infelicidade infidelidade.

Depois dos 30, a gente aprende que praticar uma atividade física regularmente pode ser bem prazeroso.

Depois dos 30, a gente aprende que não vale a pena desperdiçar nosso amor com uma pessoa que não pode nos amar.

Depois dos 30, a gente aprende que "a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional", e que só algumas coisas (e raras pessoas) merecem nosso sofrimento.

Depois dos 30, a gente aprende que, não importa o quanto a Capitu seja inocente, sempre vai ter um Bentinho para achar o Ezequiel a cara do Escobar... porque as pessoas só veem aquilo que elas querem ver.

Depois dos 30, a gente aprende que, não importa o quanto alguém nos feriu e o quanto estamos desacreditas do amor, sempre poderemos nos apaixonar de novo e nos estrepar de novo. Mas, tudo bem, afinal, superar uma desilusão está bem mais fácil agora, depois que aprendemos tantas coisas.

Depois dos 30, a gente aprende que ser feliz só depende de nós mesmas.

sábado, 21 de novembro de 2015

Como a fibromialgia salvou minha vida

Quando recebi o diagnóstico de fibromialgia, eu tive duas opções: ou me entregar a ela e deixar que ela me derrubasse (eu poderia estar aqui me vitimizando, falando o quanto o medicamento que eu uso me faz mal, mas em como é doloroso ficar sem ele e mimimi), ou aprender com ela e fazer com que isso me tornasse uma pessoa melhor, mais forte, mais ativa e mais saudável. Fiquei com a segunda opção. 

O nosso problema sempre é do tamanho que enxergamos. Se você der muita importância a um problema, ele tomará conta de ti. Eu escolhi dar uma banana para a fibromialgia. Esqueça que você tem isso: levante a bunda da cadeira e vá se exercitar! Aposto que, assim como eu, descobrirá uma nova vida. Eu era totalmente sedentária e, mudando apenas esse hábito, todo o resto ao meu redor se transformou... quer saber como? Continue lendo e você ficará impressionado com o poder da atividade física.

Como toda criança, eu era muito ativa. Corria, brincava, subia em árvores, andava de bicicleta, de patins... mas sempre detestei esportes com bola. Cheguei a pegar recuperação em educação física, porque eu tinha trauma de levar boladas na cara. Sempre usei óculos e, se os tirasse para jogar, não enxergava bem. Se ficasse com eles, poderia me machucar. Então, tornei-me avessa a vôlei, basquete, futebol e tudo mais que envolvesse pessoas disputando uma bola. Não quero, com isso, justificar o meu sedentarismo, mas acho que, como não aprendi a apreciar e nunca pratiquei nenhum esporte desse tipo, acabei me tornando uma adulta sedentária, pois me criei em uma cidade muito pequena, que oferecia poucas opções de esporte e lazer.

Como quase todo ser humano, me adaptei bem ao sedentarismo (neste vídeo, o Dráuzio Varella explica por que as pessoas não conseguem praticar atividade física) e fiquei totalmente sedentária por mais da metade da minha vida. Tentei frequentar academia algumas vezes, sem sucesso. Odeio o ambiente de academia, acho musculação um saco e não vejo sentido em esteira e bicicletas ergométricas... me sinto muito ratinho de laboratório quando estou nesses aparelhos. Quando morei em Floripa, tentei praticar natação, mas escolhi um horário com o qual não me adaptei e acabei largando o esporte. 

Quando eu descobri, mais ou menos em abril de 2014, que eu era portadora de fibromialgia (neste outro texto eu explico como foi esse processo), o médico disse que eu teria que tomar antidepressivos ou então praticar atividade física TODOS OS DIAS. Lembro como se fosse hoje: ele me explicou que quanto mais prazer a pessoa sente com a atividade que pratica, mais endorfina o corpo produz, portanto, a eficácia do exercício no combate à dor é diretamente proporcional ao prazer que sentimos com aquela atividade. Nessa hora, pensei: estou ferrada, não gosto de nada! Pela cara que eu fiz, o médico já imaginou que isso seria difícil, então me perguntou: "Você não gosta de academia, né? Mas você deve gostar de alguma coisa... você só não se lembra! O que você gostava de fazer quando era criança?". Lembrei que gostava de patinar... No mês seguinte, comprei um par de patins.

Lembrei que no final de 2013, quando estava de férias em João Pessoa, fiquei encantada com aquela ciclovia na orla da praia de Cabo Branco e vi algumas pessoas patinando, algo que eu não via há muito tempo. Lembrei do quanto eu gostava disso quando era criança e, na época, até falei para o meu ex-marido: "Quando a gente chegar em Foz, vou comprar patins e vou começar a praticar", ele respondeu: "Mas lá não tem lugar adequado para isso!". E é verdade. Não tem mesmo. Então, deixei pra lá e esqueci da ideia. Acontece que, quando queremos (ou quando precisamos - lembrem que, ou era isso, ou os antidepressivos), a gente dá um jeito. Não existe um parque em Foz do Iguaçu com uma pista lisa e plana para patinação, mas a rua onde eu morava tinha acabado de ser pavimentada, então era lá mesmo que eu praticava. Comecei patinando duas vezes por semana, depois aumentei para 3, 4... E fui sentindo, pouco a pouco, uma melhora nas dores. 

Quando o verão chegou, a coisa se complicou um pouco, pois em Foz do Iguaçu é comum fazer 45 graus. Como no horário de verão o sol se põe quase às 21h, muitas vezes a sensação térmica à noite passava dos 35 graus... Algumas vezes, tentei patinar, mas o asfalto estava começando a liberar o calor que passou o dia todo absorvendo. Tornou-se inviável a minha atividade física. Então pensei: "Preciso de uma atividade física indoor!". Comprei um Xbox e comecei a dançar zumba em casa. Por uns três meses funcionou que é uma beleza, depois comecei a ficar de saco cheio. Em janeiro de 2015 procurei uma academia e me matriculei na natação. 
- Patrícia, qual é o teu principal objetivo na natação?
- Praticar atividade física sem sentir calor.
- Hehehe... Sério mesmo? A maioria das pessoas respondem "aprender a nadar" ou "perder peso"...
- Ah, sim! Perder peso seria ótimo também. Mas, pra mim, o principal é manter uma atividade física regular sem sentir os efeitos deste verão lazarento!

Comecei a nadar três vezes por semana. Em fevereiro, comprei uma bicicleta e, nos dias que eu não tinha natação, eu andava de bike, dançava ou patinava, de acordo com o que o clima permitia.
Mas nunca antes, em toda a minha vida, senti tanto prazer com uma atividade física quanto sinto com a natação. Muitas vezes eu saía da academia tão cheia de endorfina, que era tomada por uma sensação de euforia quase que incontrolável. Eu nunca faltava às aulas e meu corpo foi tomando outra forma, passei a gostar mais do que via no espelho e, consequentemente, a gostar e querer cuidar mais de mim e da minha aparência. Como eu estava super disciplinada com a minha atividade física, não queria estragar tudo comendo besteira, passei a cuidar mais da alimentação e comecei uma reeducação alimentar com a ajuda de uma nutricionista. Uma coisa foi levando à outra. Minha autoestima foi melhorando, passei a gostar mais de mim do que de qualquer outra pessoa no mundo, então rompi um relacionamento de 7 anos, que já não estava mais dando certo, e fui morar sozinha, só com meus dois bebês peludos. 

Hoje moro em uma casa um pouco menor, com a Envy e com o Gatão, conheci outras pessoas, tive outros relacionamentos, tenho vizinhos ótimos, que hoje são a minha família aqui em Foz. Tenho um espaço só meu, comprei os móveis que eu queria, da cor que eu queria, do jeito que eu queria. Estou pesquisando modelos de sofás de pallets para a sala e de outros móveis com material reciclável para a área de lazer externa. Hoje, meu maior dilema pessoal é escolher a cor da tinta que vou usar para pintar a madeira dos pallets. Vivo sozinha e me sustento sozinha. Descobri em mim a melhor companhia para mim mesma e, pela primeira vez em 34 anos, fiz uma viagem sozinha. Gostei tanto que, no dia seguinte ao meu retorno, já comprei passagens para a próxima viagem.

O que isso tem a ver com a fibromialgia? Tudo! Se não fosse por ela, eu jamais teria saído do meu sedentarismo, jamais descobriria o quão prazeroso pode ser nadar, pedalar, patinar. Sem isso, eu continuaria vivendo a minha vida sem olhar muito para o espelho e talvez demorasse mais para perceber o quão interessante pode ser uma mulher que saiu cedo da casa dos pais, ralou muito para passar em um concurso público e hoje é dona do seu próprio nariz, só corrigindo os textos das pessoas. A atividade física, além de me livrar das dores da fibromialgia, trouxe minha autoestima de volta, a qual estava meio esquecida em algum lugar dentro de mim, quando aceitei a viver uma vida que não era minha, era de outra pessoa - a quem amei muito e com quem tive a oportunidade de amadurecer demais da conta, mas que não estava mais dando certo como casamento.

Escolhi que, ao invés de comprar duas caixas de antidepressivos, eu pagarei a mensalidade da natação: esse é o meu remédio! Essa é a minha paixão. E, o melhor de tudo: é uma atividade física que poderei praticar a vida toda, pois não existe restrição de idade (ao contrário da bike e dos patins, que, conforme a idade avançar, terei de deixar de lado, devido ao risco de quedas).

O bem-estar que um estilo de vida saudável, uma alimentação balanceada e a prática regular de uma atividade física proporcionam é imensurável. Se você se apaixonar pelo que faz, é fácil manter a disciplina, pois o exercício deixa de ser uma obrigação e passa a ser um prazer. Quando estou na água, é o meu momento, não penso em mais nada e em ninguém, apenas na minha respiração, nos meus batimentos cardíacos, nos meus novos recordes... A mente fica totalmente alheia aos problemas do mundo, vazia, e a sensação de relaxamento que a água proporciona me faz sentir a pessoa mais feliz do mundo. Para mim, é impossível ter depressão nadando! Ao sentir todas essas coisas incríveis eu fui descobrindo uma força interior que eu desconhecia. Bem que dizem que a melhor fase da vida da mulher é após os 30 anos! Me livrei de pensamentos negativos que tinha a respeito dos outros e de mim mesma, percebi que a minha felicidade e o meu bem-estar dependem única e exclusivamente de mim. E uma vez que descobrimos isso, empoderamo-nos, e ninguém, idiota nenhum é capaz de mudar o que sentimos por nós mesmas. 

Fui percebendo que a vida é feita de pequenos momentos felizes e que, uma vez que sabemos quem somos, o que os outros pensam de nós não nos diz respeito. Quando você cuida de si mesmo e da sua saúde, aprende a se amar mais - e esse é o único caso de amor eterno que vale à pena cultivar e acreditar na vida, porque o amor que vem dos outros pode ir embora com eles, mas aquele que vem de dentro de si mesmo é para a vida toda. Isso sem mencionar que "nunca é alto o preço a pagar pelo privilégio de pertencer a si mesmo". 

Obviamente que estar apaixonada é maravilho e estar com alguém pode ser fantástico, mas é preciso ficar atento e sempre praticar aquele "egoísmo saudável": saber gostar de si mesmo mais do que gosta do outro. A atividade física me ensinou isso. A fibromialgia me proporcionou esta vida que tenho hoje. Se hoje eu me vejo com essa clareza, é porque eu fui forçada a mudar. Obrigada, fibromialgia! Você me trouxe dor, mas trouxe também autoconhecimento! Sempre dizia aos meus alunos que não existe sabedoria sem dor, pois a "dor" está dentro da sabedoria. Todo o conhecimento que carregamos são fruto do nosso esforço, da nossa dedicação, às vezes do nosso sofrimento.

Então, um brinde às nossas dores, que nos deram nossa experiência! Um brinde à fibromialgia! Tim-tim!

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Afinal, que diabos é fibromialgia?

Sempre que eu digo que tenho fibromialgia, as pessoas ficam surpresas. Algumas por nunca terem sequer ouvido falar nessa palavra e, outras, por falta de conhecimento, acham que é "doença" de gente velha (é bom deixar claro que a fibromialgia não é considerada uma doença, e sim uma condição clínica - se a pessoa vai ficar doente ou não por causa dela, aí vai depender de inúmeros outros fatores). Bom, ao contrário do que a maioria pensa, fibromialgia não é coisa de gente velha. Aproximadamente 90% dos casos são diagnosticados em pacientes entre 30 e 32 anos. Quando o primeiro médico me diagnosticou, eu tinha 32. Outro dado interessante: 3 em cada 10 mulheres têm (ou terão) fibromialgia - você pode ter e nem saber!

"Mas, afinal, que porra é essa, Pati?". Bom, para quem nunca ouviu falar em fibromialgia, eu vou explicar bem resumidamente, da mesma forma que meu médico me explicou e que considerei a mais lógica e clara possível. Fibromialgia nada mais é que uma hipersensibilidade a dor, que tem origem no Sistema Nervoso Central e é desencadeada nos músculos. Ou seja, por um erro de comando ou decodificação (e ninguém sabe ainda porque acontece esse erro de comunicação, mas acredita-se que os portadores não atinjam o "sono REM" - que é o sono mais profundo), o cérebro envia estímulos de dor para várias partes do corpo. Basicamente, a pessoa convive com a dor diariamente (e tem dias que é INSUPORTÁVEL), além do cansaço, pois a fadiga crônica é uma consequência de noites mal-dormidas. Não é à toa que algumas pessoas desenvolvem depressão - pois dormir mal, sentir-se esgotado todos os dias e ainda ter dor o tempo todo não é brincadeira! É enlouquecedor mesmo.

Mas como o problema é neurológico, a dor muscular torna-se invisível, pois não existe nenhum problema físico relacionado a ela - está tudo no SNC! Contudo, é importante ressaltar que A DOR NÃO É PSICOLÓGICA... a dor é real! Já foram feitos vários exames de tomografia, comparando pessoas normais com pessoas fibromiálgicas que, quando submetidas a uma mesma pressão mecânica, o cérebro respondia àquele estímulo de forma bem diferente. Basicamente, a pessoa fibromiálgica sente muito mais dor do que uma pessoa que não é portadora da fibromialgia.

"Mas, Pati, como que você descobriu que tinha fibromialgia?". Em fevereiro de 2014 eu comecei a perceber um inchaço estranho em uma articulação da mão e procurei um médico ortopedista especialista em mãos. Aí ele deu o diagnóstico de LER (ou DORT, como preferirem), me encaminhou para a fisioterapia e mandou um laudo para a instituição em que trabalho, indicando as alterações ergonômicas que seriam necessárias para eu continuar trabalhando (caso contrário, ele me afastaria). 

Bom, ocorreu que depois de 20 sessões de fisioterapia EU SÓ PIOREI. Parecia que, quanto mais mexiam em mim, mais locais de dor iam surgindo por todo o meu corpo. Então a equipe de fisioterapia que acompanhava o meu caso enviou uma cartinha ao médico, relatando o que elas observaram (pouquíssima evolução de melhora e outros pontos de dor que surgiram). O médico, então, fez algumas perguntas, tipo:
- Você é muito ansiosa?
- Acho que sim.
- Você tem ou já teve depressão?
- Não, isso nunca.
- Você costuma acordar cansada, com a sensação de que não dormiu?
- Frequentemente.
- Você sente dores musculares em várias partes do corpo?
- Sim.
- Senta ali atrás que eu vou te examinar... Se eu aperto aqui, dói?
- Sim...
- E aqui?
- Ai!
- Aqui?
- Ui!
- E assim?
- Aham!
- Certo. Volta aqui pra gente conversar... Patrícia, eu vou te encaminhar para um reumatologista, porque eu acho que o que você tem é fibromialgia!

Enfim, ele me explicou superficialmente do que se tratava, e pra mim não fez muito sentido, porque nunca fui uma pessoa triste ou depressiva e saí de lá com uma receita de Lyrica. Fui pesquisar no Google sobre fibromialgia e sobre o Lyrica, mas entrei nos piores lugares possíveis: os blogs das portadoras de fibromialgia que tomaram esse medicamento. É desesperador! Sério. Joguei a receita no lixo e fiquei negando o problema: "Não, eu não posso ter isso, eu não sou assim! Eu não vou tomar esta droga!". O tempo foi passando e minhas dores foram aumentando. Então, decidi ir conversar com o reumatologista a quem esse médico havia me encaminhado. Meu ex-marido foi junto, pois ele também discordara do diagnóstico do outro médico e queria ouvir uma segunda opinião, afinal, ele convivia comigo há 6 anos e sabia melhor do que ninguém que eu não tinha um perfil depressivo ("Muito pelo contrário, o humor dela é ótimo!" - disse o ex ao médico - mas de que adiantou, né? O casamento não deu certo nem com meu bom-humor, imagina se eu fosse mau-humorada, teria terminado no sexto mês... wherever... voltemos à fibromialgia).

Então veio a revelação: a depressão não está presente em todos os portadores de fibromialgia; "apenas" 50% dos casos estão relacionados à depressão. Ele me examinou clinicamente, pressionando os mesmos pontos de gatilho e disse:
- Olha, eu preciso dizer que, inicialmente, eu concordo com o diagnóstico do teu médico... mas antes de entrarmos com medicação, eu vou pedir alguns exames, para excluir outras doenças que podem confundir o diagnóstico ~preciso~.
Parênteses aqui (não existe diagnóstico preciso para fibromialgia, os exames são clínicos, apenas com pressão nos pontos de dor - ou seja, não existe um exame de sangue ou radiodiagnóstico que traga a informação: "positivo para fibromialgia" - o diagnóstico é, basicamente, pelo relato da paciente, pontos de dor e por exclusão de outras doenças que podem ser detectadas por exames laboratoriais).

Bom, fui lá, fiz todos os exames que ele solicitou, inclusive um que meu plano de saúde nem cobria e aí tive que pagar à parte (humpf!)... tudo normal! Voltei ao consultório do reumatologista com os resultados, ele me olhou e disse:
- Sendo assim, Patrícia, você só pode ter fibromialgia!

"Poxa, que foda, Pati! Você deve ter ficado arrasada!". Claro que não, a essa altura, eu já estava um pouco mais conformada com o diagnóstico, pois depois da primeira consulta, quando o médico me pediu aquela bateria de exames (e viu que EU NÃO QUERIA TER FIBROMIALGIA), ele me passou algumas informações dos lugares certos para pesquisar, como por exemplo, o site da Sociedade Brasileira de Reumatologia, onde tem disponível uma Cartilha sobre a fibromialgia, muito bem elaborada, por sinal, recomendo a leitura, pois explica direitinho. Ler esse material me tranquilizou bastante, pois ao mesmo tempo que finalmente descobri de onde vêm essas dores (sei que a dor é real, não é coisa da minha cabeça, sei que tem um nome pra isso), vi que não era a pior condição do universo, já que ninguém morre desse mal e existe tratamento.

Quando compreendemos o problema, a tranquilidade vem à tona. A fibromialgia não traz nenhum prejuízo físico ao corpo no longo prazo, como deformação dos membros. O problema não é físico/muscular, é apenas uma falha de comunicação entre "o Tico e o Teco". É por essa razão que a doença geralmente é controlada com o uso de antidepressivos, pois eles agem diretamente no Sistema Nervoso Central, impedindo que o cérebro envie para o corpo estímulos de dores que não existem.

Agora você deve estar me questionando: "Nossa, Pati, que merda... então você toma antidepressivo!?". Não tomo, não. "Meu deus, então você está sempre com dor?". Também não. "Caralho, então não entendi mais nada!". Calma... Acontece que existe uma substanciazinha mágica que nosso corpo produz, que é uma droga muito poderosa contra a dor (mais potente do que a morfina), mas que ainda não foi sintetizada em laboratório. Sabem qual? ENDORFINA.

E é exatamente sobre isso que irei falar no próximo texto... "Como a fibromialgia salvou minha vida".

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Matem suas baratas!

Aos 18 anos, deixei a casa dos meus pais, em Ijuí, fui dividir apartamento com 4 pessoas totalmente desconhecidas em Santa Maria e pude experienciar a incrível, maravilhosa e dolorosa sensação de ver-se totalmente sozinho no mundo. Embora eu tenha demorado para morar sozinha de verdade (sempre dividia a casa com outras pessoas), morar em república me proporcionou muitas dinâmicas e possibilidades de relacionamento, com as quais aprendi muito, mas poucas vezes eu tive a oportunidade de conviver apenas comigo mesma. Exceto agora, só morei sozinha MESMO durante 6 meses, em Florianópolis. E, vejam bem... já saí da casa dos pais há 16 anos (já tem um tempinho, né?)! Posso dizer, sem medo de errar, que se hoje consigo me dar bem com tanta gente e trabalhar bem em equipe, é pelo fato de ter morado com aproximadamente 30 pessoas ao longo da minha vida, todas bem diferentes entre si.

No primeiro ano longe da casa dos pais, descobri que lavar roupa branca e colorida juntas não dava um bom resultado e que toalhas de banho não deveriam ser misturadas com roupas pretas. Cozinhar o básico eu já sabia, minha mãe sempre fez questão de me ensinar, então com essa parte eu não sofri tanto. Aprendi que quando um chuveiro queima, não precisamos comprar outro, é só trocar a resistência - não aprendi a trocar, não! Não cheguei nesse nível ainda... mas descobri que existe essa possibilidade, coisa que, acreditem, eu não sabia antes de sair de casa. Aprendi que a roupa não se estende sozinha e perdi a conta de quantas vezes precisei lavar tudo de novo porque simplesmente esquecia a roupa molhada dentro da máquina (hoje, felizmente, não tenho esse problema, pois minha máquina seca as roupas).

No segundo ano morando fora da casa dos meus pais, aprendi a separar as roupas, fazer brigadeiro, coquetéis com vodka e bolo de cenoura. Nesse período, ganhei a fama de fazer o melhor strognoff do Sul do mundo e também o melhor chandelle. Já o bolo de cenoura, esse só acertei uma vez, mas ficou tão perfeito, que até hoje o Thiago (o amigo que chamei para comer o bolo) acredita que sou uma baita cozinheira (coitado).

Só depois de morar sozinha, eu entendi a diferença entre furadeira e parafusadeira. Mas não tenho nenhuma das duas ainda, apenas um joguinho de chaves intercambiáveis e já me acho muito "macho" por isso. Mas de todas as coisas "de homem" que uma mulher precisa fazer quando mora sozinha, a pior delas, pra mim, sem sombra de dúvidas, é ter que matar baratas! Sério. Eu já pedi para o meu pai me ensinar a trocar tomadas, porque é algo que eu realmente sinto falta de manjar... mas matar barata é "uó". E eu só estou escrevendo este texto idiota porque acabei de ter que fazer isso. Trocar tomada é uma escolha. Matar baratas, não. A barata fica passeando na tua frente por minutos a fio e você se vê obrigado a agir. Não é uma escolha, é uma necessidade.

Tirando as coisas práticas e cotidianas da vida, o que a gente aprende quando vai morar sozinho é, basicamente, que o mundo nem sempre é legal conosco. Meu pai não estava lá para me defender dos caras mal-intencionados que se aproximavam para se aproveitar de mim, nem para intimidar os bonzinhos perguntando qual era a intenção deles comigo. Quando eu ficava doente, não tinha minha mãe para fazer uma canja e cuidar de mim e eu precisava lembrar sozinha dos horários dos remédios, que eu mesma tinha que ir à farmácia para comprar. Se eu passasse mal no meio da noite (e aconteceu muito, pois eu sofria de gastrite), não tinha ninguém para me levar ao hospital... o jeito era chamar um táxi ou, até mesmo, ir a pé (estudante vive numa pindaíba, né?). Teve uma vez que me deram tanto remédio e eu saí do HU tão drogada, que nem sei quem foi que me levou pra casa! A única coisa que lembro é de ter deitado na maca do hospital e acordado na minha cama, aparentemente intacta (e as meninas que moravam comigo nem ouviram quando eu cheguei).

Hospitais... esta foi outra razão pela qual me peguei pensando no assunto "morar sozinha" hoje. Acordei com uma tosse muito incômoda, que não me deixou ir trabalhar. Liguei para o Centro Clínico e agendei uma consulta com o médico de minha confiança. Aí uma das minhas tias me disse, no whatsapp: "Toma uma canja, Pati". Eu mal tinha forças para levantar da cama para ir ao banheiro, fazer uma canja estava fora de cogitação... é nessas horas que percebemos que estamos sozinhos mesmo. Quando eu decidi, em maio deste ano, que eu queria me separar do meu ex-marido, com quem vivi por sete anos, eu esqueci de colocar "na balança" a canja que ele fazia pra mim quando eu ficava doente - huahuahuahuahuahuahua!!!!

Brincadeiras à parte, se tem algo que eu aprendi neste tempo vivendo apenas comigo mesma é que existe uma diferença muito grande entre ser sozinho e ser solitário. Viver sozinho é uma escolha, ser solitário vai depender da relação que você estabelece consigo mesmo e como encara o fato de viver só. Felizmente, ou infelizmente, eu passei por muitas coisas em meu casamento que me obrigaram a apreciar a minha própria companhia - nem sempre foi assim, pois eu já fui um pouco insegura e achava que, para ser feliz, precisava de alguém ao meu lado. Mas de 2013 para cá, eu fui aprendendo a gostar mais de ficar sozinha na medida em que minha autoestima foi sendo resgatada, ainda dentro do meu antigo relacionamento. Quando eu finalmente percebi que eu me bastava, não fazia mais sentido manter aquela união.

Aprendi que nem sempre ter um companheiro significa que você terá uma companhia, pois existem muito mais coisas entre o céu e a terra, entre o ser humano e os relacionamentos, do que sonha nossa vã filosofia. Entendi, então, que eu já estava sozinha há algum tempo, só faltava eu assumir aquilo para mim mesma, pois muitas vezes ficamos em um relacionamento por comodismo, por costume, por preguiça de ter que conhecer outra pessoa depois, por covardia, por receio de ficarmos sozinhos, por não sabermos colocar um ponto final na pontuação da vida.

Já enfrentei muitos medos por escolher morar sozinha e, pior ainda, LONGE de toda a minha família. Já tive medo de morrer sozinha na maca de um hospital; já tive medo de ser estuprada quando voltava para casa sozinha à noite e um cara estranho, que estava no ônibus, desceu no mesmo ponto que eu e começou a me seguir; já tive medo de terminar um relacionamento e não gostar mais de outra pessoa tanto quanto gostava dele; já tive medo de perder o emprego, não ter mais como me sustentar e precisar voltar para a casa dos meus pais; já tive medo por ter me envolvido com um psicopata; já tive medo de estar grávida de um cara que não me amava. Já passei por muita coisa nesta vida e enfrentei, sozinha, todos esses medos. Sozinha! Eu costumo dizer que, quando saímos de casa, a gente amadurece na marra.

Aí algumas pessoas me dizem: "Nossa, mas como tu tem sorte de ter amigos assim, vizinhos assim...". Não. Eu não tenho sorte: eu tenho coragem! Se eu não tivesse a força de vontade que eu tenho e a coragem que eu tenho, eu ainda estaria em Ijuí, morando e trabalhando com meus pais e jamais teria sequer precisado matar uma barata. Outros já me disseram: "Nossa, mas você foi para Floripa sem ter ninguém lá! Você é muito destemida!". Mentira. Eu tenho medo como qualquer outra pessoa, a diferença entre mim e os outros é que eu enfrento todos os meus medos e posso garantir que vale a pena superar-se. Hoje, não tenho mais medo de estar longe da minha família, não tenho medo de ficar sozinha, nem de ruídos estranhos na casa à noite. Hoje, pra mim, tanto faz morar em casa ou apartamento, afinal, aprendi a enfrentar meus medos...

Então, enfrentem seus medos: peguem suas sandálias havaianas e comecem agora mesmo a matar suas baratas!

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Doses

Preciso de doses diárias café, doses diárias de humor, doses diárias de trabalho, doses diárias de amizade, doses diárias de energia, doses diárias de endorfina, doses diárias de amor.

Mas se for fazer amor, faça como se fosse a última vez; quando for beber café, faça um pouco mais forte do que de costume... porque em se tratando de café e de amor, sempre digo: melhor pecar pelo excesso do que pela falta.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Em Foz, eu aprendi*

Em Foz, eu aprendi que, até então, eu não sabia o que era calor de verdade. Em Foz, eu conheci a grandiosidade da Engenharia através de uma hidrelétrica. Em Foz, eu percebi que é normal as pessoas andarem a 40km/h na pista da esquerda e que, consequentemente, é natural ultrapassar um carro pela direita. Em Foz, eu aprendi que o transporte coletivo em Florianópolis não era tão ruim assim (pelo menos lá os ônibus têm bancos!). Em Foz, eu aprendi que as Cataratas são, de fato, uma das 7 maravilhas da natureza. Em Foz, eu entendi que a língua portuguesa deveria fazer parte da minha profissão. Foz me ensinou que a ditadura ainda existe em algumas instituições privadas. Em Foz, eu percebi que a concessionária de transporte urbano acredita que as pessoas daqui não sentem calor, pois não há ar-condicionado em nenhum ônibus. Em Foz, eu aprendi que a máxima “quem faz a faculdade é o aluno” é o clichê mais verdadeiro dos últimos tempos.

Em Foz, eu aprendi a amar Machado de Assis e Capitu. Em Foz, eu percebi que os ônibus articulados fazem falta. Aqui, eu percebi, paradoxalmente, o quanto minha família é importante para mim, e o quanto, para minha maturidade, é importante estar distante deles. Em Foz, eu aprendi que o churrasco argentino é muito melhor do que o gaúcho – e olhem que eu sou gaúcha! Em Foz, eu aprendi a ser professora, pois aqui eu tive grandes mestres que me ensinaram esta arte. Em Foz, eu tive que lecionar para uma turma de 80 adolescentes e, depois disso, descobri que posso fazer qualquer coisa. Em Foz, eu aprendi que toda comida tem que ter alho – muito alho! Em Foz, eu descobri que as estradas argentinas e paraguaias são muito melhores do que as brasileiras. Em Foz, eu aprendi a gostar de homus, sfiha, sushi e sashimi. Foi em Foz que eu senti “na pele”, pela primeira vez, o assédio moral no trabalho. Mas, em contrapartida, foi em Foz que eu aprendi quem são os meus amigos de verdade. Em Foz, eu aprendi que precisava fazer os que os outros NÃO FAZIAM para conseguir o que poucos conseguem. Em Foz, eu aprendi que “laranja” nem sempre é uma fruta e que "sopa paraguaia" não é sopa.

Em Foz, eu senti meu coração completamente despedaçado e fiquei sem chão... duas vezes! Foz fez-me entender qual era hora de ir embora, não para buscar a felicidade fora daqui, mas para, longe daqui, reencontrar a mim mesma. Em Foz, eu aprendi que a separação é, muitas vezes, boa e necessária, mas foi em Chapecó que eu aprendi a ser mais tolerante... foi lá que eu entendi que precisava voltar. Depois que voltei a Foz, eu aprendi que mudar de ideia e “voltar atrás” nem sempre é um retrocesso, e sim um passo à frente.
Foi em Foz que eu conquistei minha independência e onde eu aprendi que ser feliz só depende de mim mesma. Em Foz, eu aprendi muito e continuo aprendendo, dia após dia. Obrigada, Foz do Iguaçu, por me ensinar tanto!


* Texto escrito em Janeiro de 2014

sábado, 18 de janeiro de 2014

Readaptação da Envy em Foz do Iguaçu

"Oi, Vovó e Vovô!

Apollo e eu na casa da Vovó
Tudo bem com vocês? Mamãe achou que seria legal eu escrever para vocês contando como está sendo voltar para a casa dela depois de 1 ano e 7 meses morando com vocês no Rio Grande do Sul. Bom, primeiramente eu gostaria de agradecê-los por terem me cuidado tão bem, terem me dado tanto carinho nesse período em que minha mamãe não pôde ficar comigo. Felizmente aqueles dias todos em que eu e ela estudamos juntas para concursos renderam frutos e agora ela pode cuidar de mim de novo! Mas vocês certamente estão no rol dos meus humanos preferidos e eu nunca irei esquecer o que fizeram por mim, nem a mamãe. Também nunca irei esquecer do Apollinho... a gente brigava pelas caminhas, mas eu o amava também.


Eu, voltando pra casa!
Bom, a viagem pra cá foi muito cansativa pra mim, no começo eu fiquei tremendo de medo, então a mamãe conversava comigo o tempo todo. Depois ela teve a ideia de me soltar daquela cadeirinha e me prender no cinto de segurança, então eu deitei na minha caminha, que tem o meu cheirinho, do Apollo e da casa de vocês e viajei super bem, só precisei parar duas vezes para fazer xixi.

Mas o que eu quero mesmo contar para vocês é que mamãe e papai não moram mais naquele apartamento apertadinho, agora tem uma casa bem grande pra eu explorar - adorei isso! Já cheirei cada cantinho, mas por enquanto não estou mais saindo lá fora porque a mamãe disse que tem carrapatos e ela ainda precisa passar veneno, pois se os carrapatos me picarem, posso ficar doentinha...

Pretinha em seu lugar preferido
Bom, logo que cheguei aqui a mamãe foi me mostrar o pátio e o papai entrou... corri por tudo com um sorriso na cara! Logo, papai veio dizer para a mamãe: "Eles estão muito assustados, é melhor você entrar...". Então a mamãe entrou e não me levou com ela... fiquei do lado de fora com o papai e comecei a ficar tensa sem saber o que estava acontecendo, os dois entravam e saíam da casa e eu só podia ficar lá fora. Acho que nessa hora eu fiquei chateada e com medo de ter que morar no quintal... mas logo mamãe abriu a porta e disse: "Vem!". Que felicidade!!!!! Entrei feliz da vida na sala e só depois de alguns segundos percebi que tinha uma gata em cima do sofá... ficamos imóveis. Eu e ela nos encaramos por alguns instantes... e só então nos reconhecemos! A Pretinha está uma mocinha. Bom, mas aí não dei muita atenção a ela, eu queria ver o restante da casa... queria entrar em todos os quartos e cheirar tudo... e depois de reconhecer todo o novo território, é que voltei para a sala e vi o Gatão, saindo da sua toca. Ele ficou assustado quando percebeu minha presença do lado de fora, mas logo reconheceu o meu cheiro e veio me cumprimentar. Depois disso, o papai e a mamãe saíram e me deixaram sozinha em casa com os gatos!! Eu gritei e chorei muito, não acreditei que estavam fazendo aquilo comigo, logo no primeiro dia... mas eles voltaram e então eu entendi que haviam saído só para jantar. Agora estou bem feliz aqui com meus antigos amiguinhos, até deixo o Gatão dormir na minha cama e teve um dia que a mamãe deixou nós 3 ficarmos um pouquinho na cama dela...
Nós 3 na caminha da mamãe

Gatão dividindo a caminha comigo

Eu e a bollinha
A nossa casa é super legal, e tem um quarto só para visitas onde a mamãe nunca nos deixa entrar. Tem outro quarto onde a mamãe guarda só as coisas dela e adivinhem o que eu encontrei lá? TODOS OS MEUS BRINQUEDINHOS que haviam ficado aqui. Mamãe disse que ficou surpresa com minha inteligência, pois no meu segundo dia aqui, quando ela chegou do trabalho, eu a convidei para brincar e fui sozinha até esse quartinho buscar uma bolinha na cesta dos brinquedos. Só não gostei de uma coisa aqui: não tem grama aqui para eu fazer xixi, e eu fiquei com medo de ir nas pedrinhas porque algum bichinho me machucou na minha primeira manhã aqui. Mas a mamãe e o papai estão super orgulhosos de mim, porque no terceiro dia eu já aprendi a usar o banheiro corretamente... olhem:
Meu banheiro com gradinhas
Eu nas pedrinhas, antes de ter medo
Eu explorando a casa nova - 1ª noite


Aqui a mamãe não comprou papinha de bebê para misturar na minha ração, mas como eu não comia mais a ração seca, ela teve que misturar uma outra ração molhadinha. Então eu comi tudinho. Só tem um problema: os gatos amaram o cheirinho e agora todo mundo come ração com molhinho!
Eu comendo tudo
Comidinha gostosa

Pretinha, inconformada
A Pretinha tem ciúmes de mim porque a mamãe e o papai deixam eu sair um pouquinho (só de vez em quando) e ela não pode sair porque ainda não é castrada e é meio fujona (e sempre que saio e ela fica espiando com essa cara aí). A mamãe até comprou coleirinha com plaquinha de identificação para todos nós, com o telefone deles gravado, assim se um de nós fugirmos, existe a possibilidade de sermos encontrados por alguém legal que nos traga de volta pra casa. Eu e a Preta já estamos usando nossa coleirinha, o Gatão ainda não porque qualquer coisa diferente o assombra... mamãe até colocou nele, mas como ele ficou com muito medo, teve que tirar. Mamãe comprou um bebedouro novo super maneiro para os gatos, acho que foi para eles não ficarem com tanto ciúme de mim, mas agora quem ficou com ciúmes fui eu, porque o bebedouro deles é uma fonte ligada na luz que deixa a água sempre gostosa e fresquinha e o meu é o bebedouro de bilha normal. Bom, mas ainda bem que a mamãe comprou logo meu bebedouro novo, eu não aguentava mais tomar água no potinho e me molhar a cada vez... ainda bem que existe esse tal de "Mercado Livre", porque a mamãe diz que as lojas normais só ficam abertas quando ela está trabalhando.
Meu bebedouro com comedouro

Pretinha bebendo água no bebedouro novo e eu com ciúmes













Bem, já tem quase 2 semanas que estou de volta e acho que estou me adaptando bem. Eu me estressei um pouquinho com a mudança de ambiente e de rotina, saíram umas feridinhas na minha barriga, mas a mamãe já me levou no meu dotorzinho e ele cuida tão bem de mim que desde o último banho eu não me cocei mais! Sinto saudades da companhia de vocês e das frutinhas que o Vovô dividia comigo, mas estou me sentindo feliz vendo a mamãe e o papai juntos e bem de novo. A mamãe sai tão cedo para trabalhar que na maioria das vezes eu fico com preguiça de levantar com ela e fico dormindo dentro do quarto... mas depois eu me arrependo e arranho a porta para sair. Ela não me dá muita atenção de manhã porque sempre acorda em cima da hora, mas eu sei que ela me ama porque ela sempre volta... e quando ela volta eu fico muito feliz, faço muita festinha e como recompensa, ela joga a bolinha pra eu buscar. O papai trabalha em casa e eu o vejo bastante durante o dia, então todas as noites durmo no chão, perto da cama, do lado da mamãe para matar a saudade... o papai é muito carinhoso comigo e é mais legal do que a mamãe porque quase sempre me dá um pouquinho do que ele está comendo (mamãe diz que eu não posso). Nesta foto eu tinha acabado de comer amendoim, vejam como eu estava faceira:

Papai e eu: na boa, eu amo muito esse cara!!! 
Agora que vocês já sabem como é minha vida nova, só falta virem nos visitar! 
Um lambeijo,
Envy."